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As doenças infecciosas continuam a determinar o padrão de morbi-mortalidade em Moçambique. O país, por outro lado, apresenta-se relativamente vulnerável às doenças epidémicas e às calamidades naturais. Por exemplo, nos últimos tempos, o país te
As doenças infecciosas continuam a determinar o padrão de morbi-mortalidade em Moçambique. O país, por outro lado, apresenta-se relativamente vulnerável às doenças epidémicas e às calamidades naturais. Por exemplo, nos últimos tempos, o país tem testemunhado sucessivamente surtos de cólera durante as épocas chuvosas, sobretudo nos aglomerados urbanos. Outras doenças como a malária, as doenças diarreicas e a meningite continuam ocorrendo de forma inaceitável no país, apesar dos esforços contínuos do Ministério da Saúde (MISAU) e outras entidades governamentais e não-governamentais na prevenção e controlo destas e outras doenças transmissíveis. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua enfrentando enormes desafios para detectar e responder atempadamente aos surtos de doenças infecciosas no país.
Face a esta situação e reconhecida a necessidade de reforçar as acções de prevenção e controlo das doenças actualmente prevalecentes no país, o Ministério da Saúde solicitou ao Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (conhecido por CDC ou Centers for Disease Control) para apoiar na elaboração dum programa de formação em Epidemiologia de Campo e Laboratorial em Moçambique. De referir que, a CDC para além de possuir uma extensa experiência no campo de prevenção e controlo de doenças, tem já um programa de formação em Epidemiologia de Campo e Laboratorial que se tem mostrado valioso em muitos países do Mundo, incluindo em alguns países da África Subsahariana. Esse programa da CDC tem sido designado em Inglês como Field Epidemiology and Laboratory Training Program (FELTP) que possui vertentes de formação em serviço e de instrução ao nível de mestrado e que no âmbito desta proposta será designado por Mestrado em Epidemiologia do Campo e Laboratorial(MECL).
Após uma série de encontros que ocorreram para deliberar sobre a possibilidade da introdução dum programa similar ao FELTP em Moçambique. Foram envolvidas, nesses encontros, para além das agências do governo dos Estados Unidos em Moçambique, incluindo CDC e USAID (United States Agency for International Development), outras entidades como: a Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a Organização Mundial da Saúde (OMS, Moçambique), o Laboratório Nacional de Imunologia do Instituto Nacional de Saúde (INS, Moçambique) e o Instituto Nacional de Estatística (INE, Moçambique). Esses encontros permitiram confirmar a necessidade dum programa de formação similar ao do FELTP em Moçambique, sobretudo pelas seguintes razões:
Constatou-se um défice quantitativo e qualitativo em recursos humanos de nível superior com especialização em epidemiologia e/ou em saúde pública. Quadros com orientação em epidemiologia/saúde pública são importantes nos processos de promoção de saúde e prevenção e controlo de doençasnas populações. O programa de MECL poderia contribuir para minimizar este défice actualmente existente nestes quadros;
Constatou-se também que havia problemas sérios no actual sistema de vigilância epidemiológica no país, sobretudo incapacidade do sistema em detectar e responder aos surtos epidémicos de forma atempada. Por outro lado, o país não tem actualmente implementado o chamado Sistema Integrado de Vigilância e de Resposta às Doenças(SIVRD). Assim, para além da necessidade de rever o actual sistema de vigilância epidemiológica, havia igualmente necessidade de formar quadros qualificados capazes de gerir um sistema de vigilância epidemiológica sustentável e eficaz a diferentes níveis de intervenção no país.
Assim, o programa FELTP foi tido como uma possível solução uma vez que providencia formação orientada para a realidade do país, procurando fazer uso das Instituições que fazem parte do SNS e, desse modo, concorre também, de certa maneira, para a capacitação do próprio sistema de saúde no país. Por outro lado, a formação dos quadros no contexto/realidade local/nacional permite melhor familiarização com o sistema de saúde existente no país e também um melhor enquadramento tecnológico destes profissionais pósformação, o que nem sempre acontece com os quadros formados fora do país onde a realidade/contexto nem sempre são similares aos do país de origem dos formandos.